A Hepatite A, também conhecida como hepatite infecciosa é uma doença aguda do fígado, causada pelo vírus
da hepatite A (HAV), geralmente de curso benigno. É um vírus de RNA com capsídeo constituído pelo antígeno HAVAg, seu
diâmetro é de cerca de 27 nm.
Transmissão
A transmissão é feita por
alimentos mal preparados e água contaminadas por fezes contendo o vírus (transmissão
fecal-oral), além da possível presença de fômites no ciclo. É transmitida
também através do sexo oral-anal e prática dígito-anal-oral. Pode ser absorvido
de marisco proveniente de
águas contaminadas com esgotos.
Pode ocorrer em surtos epidêmicos (água contaminada), tendo relação com menores
condições socioeconômico-educacionais. Geralmente acomete a população infantil.
Apresenta a característica de não cronificar, mas pode apresentar casos
arrastados. A forma fulminante é muito rara (0,6% dos casos) e aumenta seus
casos com o aumento da idade. Mais de 40% dos casos de hepatite são causados
pelo HAV, e 50% da população adulta já o terá encontrado.
No Brasil, 75% da população
adulta já teve contato com o vírus (apresentando sorologia IgG-anti HVA
positiva). Os anticorpos são protetores para toda vida, não há manifestações
por imunocomplexos. A distribuição da doença é mundial.
O vírus é ingerido com os
alimentos ou água. O período de incubação dura cerca de um
mês. No intestino infecta os enterócitos da mucosa onde se multiplica. Daí
dissemina-se pelo sangue, e depois infecta
principalmente as células para as quais mostra a preferência, os hepatócitos do fígado. Este tropismo é
devido à abundância nessas células dos receptores membranares a que o vírus se
liga durante a invasão. Os vírions produzidos são secretados nos canais
biliares e daí, via ampola
de Vater, no duodeno,
sendo expelidos nas fezes.
Os sintomas se dão tanto devido
aos danos do vírus como à reação destrutiva para as células infectadas pelo sistema
imunitário. Mais de metade dos doentes poderão ser assintomáticos,
particularmente crianças. Surgem geralmente de forma abrupta febre, dor abdominal, náuseas, alguma diarreia que se mantém
durante cerca de um mês. Mais de metade dos doentes desenvolve então icterícia (pele e conjuntiva do olho amarelada devido à disfunção do fígado).
Em 99% dos casos segue-se a recuperação e cura sem problemas.
Em 1% dos casos os sintomas podem
ser muito mais graves e rápidos, a denominada hepatite fulminante. Ocorre
icterícia mais intensa e encefalopatia
(devido à não regulação pelo fígado da amónia sanguínea
neurotóxica), com distúrbios psiquiátricos e degradação das funções mentais
superiores, seguida de morte em 80% dos casos. Na hepatite por HAV ao contrário
da Hepatite B ou C, não há casos de doença
crónicas.
Quando acomete adultos a doença é
muito mais sintomática, prolongada e com risco muito maior de agravar do que na
criança. Apresenta período de incubação curto: 2-6 semanas. O vírus pode ser
isolado nas fezes 15 dias antes dos sintomas e até 15 dias após sua resolução.
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