terça-feira, 28 de maio de 2013

O Corpo de Cristo.


No século XI o mundo passava por uma forte heresia provinda de um grupo chamado Cátaros, que quer dizer “os purificados”.
Para os cátaros, o mundo era uma criação de Lúcifer, irremediavelmente perdido. Por isso "os purificados" deviam viver fora do mundo numa vida de castidade perfeita. O movimento atingia as raízes do cristianismo, pois, declarando o mundo visível intrinsecamente mau, a encarnação de Jesus e Sua redenção, a Igreja e seus sacramentos, acabavam sendo rejeitados. Negavam o matrimônio, a hierarquia eclesiástica e toda a disciplina da Igreja.
A Igreja estava sendo violentamente atingida pelas heresias que surgiram desses grupos. Os cátaros faziam parte da Igreja, mas depois se separaram , formando sua seita.
Eles também combatiam a presença real de Jesus na Eucaristia. Afirmavam que ela era apenas um símbolo
Olhando bem, parece que a história se repete nos dias de hoje, mas continuemos.
Em meio a esse senário um padre chamado Pedro de Praga, duvidou da veracidade da eucaristia, a duvida pairava em sua cabeça se aquele pão consagrado era realmente o corpo de Cristo, ele resolveu então peregrinar até Roma para tirar essa duvida da cabeça.
Passando pela cidade de Bolsena ali se hospedou, na manhã seguinte ele celebrou a eucaristia mesmo duvidando, o interessante é que antes de ir dormir no dia anterior, ele pediu ardentemente a Jesus que lhe mostrasse a verdade, pois ele precisava crer somente crer.
Quando ele celebrava a Missa na hora da consagração do pão e do vinho, no momento em que ele levantou a hóstia já consagrada, ela começou a sangrar. O Sangue pingava no corporal - uma pequena peça de linho branco que se coloca sobre a toalha do altar, na qual repousa o cálice, a patena e as âmbulas durante a Missa. A quantidade de Sangue foi tão grande que transpassou o corporal, as toalhas e atingiu o altar que era de mármore, deixando ali as marcas.
Tentando socorrer a situação, no desespero, o Padre andou com a hóstia que sangrava na mão, pois nem sabia onde colocá-la. Com isso, algumas gotas de Sangue caíram no chão. Ainda hoje, naquela Igreja na cidade de Bolsena, existem as marcas de Sangue no chão de mármore.
O Papa Urbano IV estava na cidade de Orvietto, não muito distante de Bolsena. Informado do que se passara, pediu a um bispo que fosse para lá verificar o que havia acontecido e lhe trazer o resultado. O Papa estava sendo cauteloso diante de todas as heresias que estavam acontecendo naquela época.
Outro fato pouco conhecido é que uma monja agostiniana, Juliana de Cornillon, recebeu diversas revelações de Jesus, que lhe pediu que levasse esses apelos à Igreja, na pessoa do Papa. Um dos apelos era que, após o domingo de Pentecostes, em uma quinta feira, se celebrasse a festa da Eucaristia, a Solenidade de Corpus Christi.
O Papa recebeu o anúncio daquelas revelações, levando-as muito a sério, porém as guardou no coração. Se ele simplesmente instituísse a Solenidade de Corpus Christi , como Jesus estava pedindo , estaria praticamente aprovando aquelas revelações como sendo corretas, por isso agiu com prudência, mas pediu ao Senhor que lhe mostrasse a verdade.
Instituindo a Solenidade de Corpus Christi, ele estaria indo contra toda a heresia dos cátaros. Seria a resposta da Igreja, afirmando a presença de Jesus na Eucaristia, com seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Mas o Papa precisava de muita prudência e sabedoria.
O bispo foi a Bolsena e já estava voltando. Mas o Papa não resistiu e foi ao seu encontro. Saiu de Orvietto e, na metade do caminho, numa ponte chamada "Ponte do Sol”, os dois se encontraram. O Papa desceu de sua carruagem e foi em direção ao bispo que trazia, devotamente, em suas mãos, o corporal ensanguentado. Quando o bispo abriu o corporal, o Papa caiu de joelhos no chão, proclamando: Corpus Christi! O Corpo de Cristo!
Quando o Papa Urbano IV disse: Corpus Christi, ele estava fazendo a sua profissão de fé diante daquele milagre Eucarístico. Era como se dissesse: "Este é o Corpo de Cristo presente na hóstia consagrada, e aqui está a prova. Creio na presença real de Jesus na Eucaristia. Creio que aqui está o Corpo de Cristo".
O Papa voltou para sua casa, levando aquele corporal e colocou-o numa Igreja em Orvietto. Instituiu então, na data em que Jesus havia pedido, através daquelas revelações, na quinta-feira após o segundo domingo de Pentecostes, a Solenidade de Corpus Christi.
E assim até os dias de hoje alegremente é celebrada pela Igreja o dia do Corpo de Cristo.
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